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Meu Cantinho

Por Márcio Nóbrega   Quinta-Feira, 10 de Março de 2011

Meu Cantinho             São 5h da tarde, o sol já está indo embora, para onde não sei. Sentado na pedra que há vinte e sete anos me sento todos os dias, estou olhando para o meu casarão de taipa, a antena parabólica até parece o laço de fita que Anna (minha primeira namorada e eterna) usava no nosso primeiro encontro.            Oi Felipe! O que quer de mim? Para quem não conhece, Felipe é o meu irmão mais novo dos doze que tenho. Logo, o pivete diz, Juninho queria que você me ajudasse no trabalho que estou fazendo na escola. Rápido e para me ver livre do moleque, digo: traga logo o caderno e o lápis que eu lhe ajudo. Com os olhos arregalados e de voz alta, Felipe diz, não doido! O trabalho já está salvo nos “meus documentos” no PC daqui de casa. Pensei! Como vou ajudá-lo se não sei bem mexer nesse tal de PC? Mas, assim mesmo fui. Na volta tomo dois copos de água gelada no pote que minha mãe herdou da minha vó Benedita e quando olho para a sala, minha irmã está com o DVD ligado na faixa quinze da Banda Eva. Pulando de um jeito meio esquisito e engraçado, ela me olha e me chama para dançar com ela. Como não sei se quer tirar o pé do chão, logo ela me libera dizendo que meu corpo até parece feito de mármore de tão duro que sou.            São 6h da tarde, lá estou eu, sentado naquela bendita pedra atento para ouvir à difusora da igreja, ou melhor, atento a tudo o que está rolando na minha metrópole de quase três habitantes. Ouço o locutor dizendo de uma festa que vai haver no clube. Rapidamente me vem na mente, que esta seria mais uma chance de me encontrar com Anna.            A tarde cai e logo a escuridão toma conta, fazendo com que eu “ligue” a lamparina para tomar meu banho e me perfumar todo, pois hoje algo me diz que voltarei o namoro com Anna.            Por volta das 9h da noite, na pracinha da cidade, me deparo com aquela morena alta, de cabelos longos, pernas de meter inveja a qualquer outra mulher, sorriso cheio e olhos brilhantes vindo a minha direção. Sim! É Anna. Passados alguns dias, lá estava eu novamente em minha pedra ouvindo a difusora, por que sabia que hoje ia passar os banhos do meu casamento com Anna. Meu coração parecia que ia sair pela boca de tanta emoção, pois só de pensar que toda a cidade ia escutar falar do meu casamento com ela.            Agora já casado e pai de nove filhos, estou no meu cantinho (pedra) ouvindo a minha difusora para saber tudo sobre a minha pequena cidade de Várzea.   

Autor - Márcio Nóbrega

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